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Construção civil vê 2026 como janela de oportunidades no Rio Grande do Sul

Sinduscon/RS afirma que 2026 é uma janela de oportunidades para a construção civil

O ano de 2026 será uma janela de oportunidades para o setor da construção civil, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon/RS), Rafael Goellner Garcia, ao destacar que o cenário macroeconômico será mais favorável do que em 2025 com a expectativa da redução da Taxa Selic (mesmo que ainda em alto patamar), o que deve manter o mercado imobiliário em dinâmica no Estado. “As perspectivas para 2026 apontam para uma nova oportunidade para lançamentos imobiliários”.

O mercado de Porto Alegre prevê um nível de lançamentos acima de R$ 4 bilhões em 2026 e vendas em torno (meta) de R$ 5,5 bilhões/ano – R$ 458 milhões por mês em negócios. Sobre o mercado imobiliário em 2025, Garcia destacou que o setor apresentou forte expansão com o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado atingindo R$ 3,9 bilhões – o que representou um crescimento de 50% comparado  aos R$ 2,6 bilhões de 2024. O resultado ficou muito baixo pelo travamento de lançamentos que ocorreu no pós-enchente de 2024. 

Segundo Garcia, o ano eleitoral leva os investidores e os compradores a equilibrarem investimentos e optarem pela segurança imobiliária. Como fatores favoráveis para 2026, o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil destaca a tendência de queda gradual nos juros, déficit habitacional ainda elevado e programas do governo federal de incentivo ao setor da construção civil. O sindicato aponta ainda a dinâmica reprimida em segmentos específicos e o ano de eleições – em que existe a busca por segurança nos imóveis.

Conforme Garcia, existe uma demanda por imóveis muito latente no Brasil. “Temos ainda um déficit habitacional no País muito grande. Existe a necessidade das pessoas pela troca de imóvel ou ainda de quem vem estudar em Porto Alegre”, comenta. O dirigente ressalta que o ano 2026 começou com um volume de vendas maior do que o mesmo período do ano passado. Garcia diz que é importante ressaltar que a construção no Rio Grande do Sul tem ficado nos últimos anos próxima do desempenho da construção nacional. “No início do ano, a perspectiva era de 2%. Recentemente esta projeção foi reduzida para 1,2%”, acrescenta.

A escassez da mão de obra tem preocupado o setor da construção civil gaúcha. De acordo com Garcia, as construtoras sentem muita dificuldade na contratação de novos trabalhadores. “Não é um problema de Porto Alegre ou do Rio Grande do Sul. É um problema do Brasil”, acrescenta. “Uma das nossas metas é realizar uma campanha forte com o objetivo de mostrar os benefícios que o setor da construção civil  oferece aos trabalhadores. O dirigente destaca que as incorporadoras percebem um desinteresse da geração atual em trabalhar na indústria. “A nova geração vem se afastando desse tipo de profissão. Estamos perdendo nossos funcionários para aplicativos”, comenta.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil destaca que no setor os trabalhadores têm benefícios como carteira assinada, garantia no emprego e plano de carreira. O dirigente diz que não é uma situação que se muda do dia para a noite. “Temos como objetivo a promoção de uma campanha de valorização do trabalhador na construção civil. O nosso setor tem a melhor remuneração salarial média do País”, acrescenta. Garcia diz que ideia é realizar campanhas de comunicação mostrando a importância do emprego, da valorização profissional e da construção civil.

Sobre a industrialização na construção civil, o dirigente afirma que não resolve a curto prazo, uma vez que a sua implementação tem sido aquém do desejado. “A construção civil ainda hoje é artesanal. É um setor muito dependente da mão de obra. Os serviços que temos dentro de um canteiro de obras são dependentes das pessoas”, ressalta. Garcia explica que o cenário na construção civil hoje é de uma mão de obra já envelhecida. “A média de idade dos trabalhadores no canteiro de obras está na faixa dos 42 anos”, destaca. Com relação à industrialização, o dirigente destaca a realização de capacitações para os funcionários e a implantação do sistema num prazo de cinco anos no Estado.

O vice-presidente do Sinduscon/RS, Roberto Sukster, defende a industrialização da construção civil como solução para a escassez de mão de obra. Ele explica que sistemas modernos, como o drywall e estruturas pré-moldadas, reduzem o desperdício e melhoram a qualidade das obras, embora enfrentem barreiras como o alto investimento inicial. Sukster destaca a importância da colaboração entre o setor produtivo e a academia, ao mencionar parcerias com universidades gaúchas para fomentar a inovação e o uso de tecnologias.

Sukster explica que o sindicato vê com muita importância hoje pensar na industrialização da construção civil. “Acredito que a industrialização é a única saída que as incorporadoras terão no futuro”, comenta. O dirigente aponta que o setor tem alguns gargalos importantes. O primeiro, é a falta de mão de obra, que segundo Sukster, tem uma tendência de piorar cada vez. “Temos um cenário complicado hoje em relação à mão de obra no Brasil”, acrescenta. Para o dirigente, a industrialização é o melhor caminho para que a construção civil possa aumentar a produtividade, reduzir o desperdício e resolver a escassez da mão de obra. 

Construção Civil é o setor com maior salário médio admissão

Construção civil: R$ 2.551,69
Administração pública, defesa, educação, saúde humana e serviço social: R$ 2.534,93
Informação, comunicação, financeiras, imobiliárias e administrativos: R$ 2.494,23
Indústria geral: R$ 2.441,80
Transporte, armazenagem e correios: R$ 2.427,02
Outros serviços: R$ 2.425,07
Serviços: R$ 2.419,45
Indústria de transformação : R$ 2.417,17
Agricultura, pecuária, profissional florestal, pesca e agricultura: R$ 2.210,94
Comércio, reparação de veículos, automotores e motocicletas: R$ 2.088,42
Alojamento e alimentação: R$ 1.970,58

Obs: Em março de 2026, o salário médio de admissão da construção civil no Brasil foi de R$ 2.551,69. Foi o maior patamar nos segmentos econômicos divulgado pelo Novo Caged/Ministério do Trabalho e Emprego. A média foi de R$ 2.350,83.

Fonte: Sinduscon

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