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Minha Casa Minha Vida continua liderando os lançamentos

Lançamentos e vendas continuam fortes no segmento de casas populares; imóvel residencial sobe mais em capitais fora do Sudeste

O mercado imobiliário no Brasil começou 2026 com sinais de desaceleração em alguns segmentos, ao mesmo tempo em que outros mantêm crescimento. Pesquisas, índices de preço e levantamentos de consultorias mostram um movimento de redução de lançamentos e vendas em grandes centros urbanos, como São Paulo, especialmente no médio e alto padrão.

Por outro lado, o Minha Casa Minha Vida (MCMV) segue como principal motor do setor e deve continuar sustentando a atividade ao longo do ano, com forte presença em diversas capitais. A expansão do programa vem acompanhada de maior disponibilidade de crédito, com o reajuste das faixas de renda atendidas. Já no crédito fora dos incentivos governamentais, os financiamentos com recursos da poupança mostram retração nas concessões neste início de ano.

Pela ótica dos preços, os imóveis residenciais tiveram desaceleração no valor médio do metro quadrado. Já o mercado de locação apresenta um movimento diferente: os novos contratos ganham tração no curto prazo, enquanto os contratos vigentes seguem sem reajuste, em meio ao IGP-M negativo em 12 meses.

Panorama do mercado imobiliário 2026: resumo por segmento

SegmentoSituação atual e tendência
Minha Casa, Minha Vida (MCMV)Líder absoluto. É o motor do setor, representando mais de 50% dos lançamentos em 6 capitais (87% em Manaus). O poder de compra cresceu até 21% após reajuste das faixas.
Médio e alto padrãoEm desaceleração. Queda de 60% em lançamentos e vendas em SP no 1º trimestre. Recuperação depende da queda da Selic e estabilidade geopolítica global.
Financiamento e créditoCenário misto. Crédito farto para baixa/média renda via MCMV, mas retração nos financiamentos via recursos da poupança (SBPE).
Preços de vendaAcomodação. Alta acumulada de 1,01% no 1º trimestre, variando abaixo da inflação. Preços mais “comportados” em comparação a 2025.
Mercado de locaçãoDualidade. Novos contratos estão aquecidos (alta de 1,60%), enquanto contratos antigos seguem sem reajuste devido ao IGP-M acumulado negativo.

*Fonte: Levantamento baseado em dados Secovi-SP, Brain Inteligência Estratégica e Índice FipeZap.

5 sinais do mercado imobiliário em 2026

Imóveis de alto padrão caem em SP no 1º trimestre

Dados do Secovi-SP indicam que as incorporadoras já se antecipam à queda da demanda por empreendimentos de médio e alto padrão. As informações de janeiro e fevereiro mostram recuo de cerca de 60% nos lançamentos e vendas no segmento.

Para o setor, é algo que pode mudar de tendência só a partir do fim do primeiro semestre, à medida em que a redução da Selic, referência para a taxa de juros, siga em curso. A incerteza é de quanto será a queda total nos juros da economia, enquanto se entendem os efeitos práticos da discussão sobre a trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã.

Minha Casa Minha Vida lidera lançamentos nas capitais

Em algumas regiões do país, o Minha Casa Minha Vida virou sinônimo de mercado imobiliário, concentrando os lançamentos. Esse foi o retrato de 2025 e tem tudo para ser igual neste ano.

O programa já responde por mais de 50% dos lançamentos em seis capitais, chegando a 87% em Manaus, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica. Mas também há participações relevantes e disseminadas praticamente por todo o país, na ordem de 30% a 50% dos lançamentos. Confira o ranking completo:

Ranking: participação do MCMV nos lançamentos – por capital (2025)

Manaus (AM): 87%
Teresina (PI): 76%
Aracaju (SE): 74%
São Luís (MA): 72%
São Paulo (SP): 65%
Natal (RN): 52%
Fortaleza (CE): 50%
Campo Grande (MS): 49%
Recife (PE): 48%
Maceió (AL): 48%
Porto Alegre (RS): 44%
Brasília (DF): 41%
Rio de Janeiro (RJ): 36%
Salvador (BA): 36%
Palmas (TO): 32%
Goiânia (GO): 30%
Boa Vista (RR): 26%
Cuiabá (MT): 24%
Porto Velho (RO): 24%
Belém (PA): 22%
João Pessoa (PB): 18%
Curitiba (PR): 13%
Belo Horizonte (MG): 7%
Florianópolis (SC): 0%
Vitória (ES): 0%
Rio Branco (AC): 0%
Macapá (AP): 0%

Além da participação nos lançamentos, a consultoria destaca a forte penetração do programa entre famílias com renda de 2 a 8 salários mínimos. São Paulo lidera esse indicador, com 56,9 unidades lançadas a cada mil domicílios nesse recorte.

“São Paulo, nesse caso, é especialmente emblemática. Porque quando o maior mercado do país também lidera em intensidade de oferta para essa faixa de renda, o sinal é claro: o MCMV passou a operar também como resposta relevante para um déficit de encaixe entre renda familiar, preço do imóvel e capacidade de financiamento em grandes centros urbanos. E esse ponto conversa diretamente com as mudanças anunciadas recentemente no programa”, escreveu Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica, em artigo recente.

Poder de compra cresce no segmento popular

Os lançamentos pelo Minha Casa Minha Vida concentram a estratégia das construtoras e vêm acompanhados de maior acesso ao financiamento. O reajuste das faixas do programa, aprovado no fim de março, amplia o alcance até a classe média e pode levar o programa ao melhor desempenho da história.

Fonte: Portas

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